Show

https://youtu.be/NV6NIJH-chE

20160414

Sinédoque Recife – Florianópolis!*



Até neste minuto iludia-me com o pensamento de que sabia o que andava fazendo, pensando ou dizendo: que tola fui, em permitir cegar-me ações que desmentem o que de fato quero expressar vendada pela falsa segurança por uma promessa; promessa de quem já não sei mais se compensa. Pra quem acredita se no que criei ontem,  já não tem o mesmo valor – idéias perdidas. Convencida apenas de minha vaidade, desse poder que é finito, dos julgamentos dos outros me forçando a  fazer tudo a contragosto, o uso da  maledicência em minha boca que me agride somente a mim. Meu  querer e poder que quase nunca andam de mãos dadas - faço-me jurar por tudo que lhe é sagrado na dúvida que eu tenho e que não mais me amedronta, na posição que me coloco sem querer argumentar. Vazio do  ego que até hoje me amargava!
Segue-se o passo de vossos padres, não vos quereis que isto aconteça a vós? Não se sinta apequenada por isto, acontece! Nós nascemos num berço de uma sociedade tomada de defeitos – claro que sempre haveria – todavia nos é imposto esta infortunada desgraça, nos impõem a má-consciência por que se agir fora dos padrões por eles propostos estarás “jurada” pela falta de “moralismo”; nessas más-consciências acarreta-nos a podridão da nossa própria moral conosco mesmo. Por causa deles vós inibis diversas vontades e não as fazeis, pois não está dentro da “cartilha”. O desfecho é a vossa vontade principal a vossa vontade instintiva, que é esta a qual deve ser incentivada, se anula e termina por se anular completamente, aí entra o ressentimento. Passamos a nos sentir inferiores perante aos outros e assim geram-se diversas outras vontades ruins principalmente para convosco próprio a causam amargura, ódio, raiva, rancor. Sentimentos os quais devemos expurgar de nós, mas não por causa dos outros, por nós mesmos. Chega de compaixão, é ela que corrompe e não o poder.
  Já findou nada mais me compadece!!! Nem a mim mesmo dou-me esse direito; tentativas inúteis em busca de atenção,  onde o  que mais valia era a busca da minha própria atenção, hoje acredito dela não necessitar. O ser invisível me é mais prazeroso, estar e não ser percebida ou julgada por atitudes que não condiz com essa ou aquela pessoa. E no fim de tudo quem rir de todas essas baboseiras que acontecem no mundo é o ser invisível, o Eu e todos. Fugir da figura de vaso com belas flores em cima  do caríssimo móvel, não que não seja  um colírio aos olhos, mas perde-se o valor quando quebrado e as flores murcham. E assim se segui... sem trilhar os passos dos outros ou procurar uma muleta, para ter o  próprio caminho, sem culpar os caminhos tortuosos e o pai ausentei. Andar sozinha sem saber o que encontrar no fim da estrada talvez a mim mesma.

Meu texto e de Jackeline.

20160413

Eztetyka da Fome! Terceira e Última parte.



O amor que esta violência encerra é tão brutal quanto a própria violência, porque não é um amor de complacência ou de contemplação mas um amor de ação e transformação.
O Cinema Novo, por isto, não fez melodramas: as mulheres do Cinema Novo sempre foram seres em busca de uma saída possível para o amor, dada a impossibilidade de amar com fome: a mulher protótipo, a de Porto das Caixas, mata o marido, a Dandara de Ganga Zumba foge de guerra para um amor romântico;Sinhá Vitória sonha com novos tempos para os filhos, Rosa vai ao crime para salvar Manuel e amá-lo em outras circunstâncias; a moça do padre precisa romper a batina para ganhar um novo homem; a mulher de O Desafio rompe com o amante porque prefere ficar fiel ao seu mundo burguês; a mulher em São Paulo S.A. quer a segurança do amor pequeno-burguês e para isso tentará reduzir a vida do marido a um sistema medíocre.
Já passou o tempo em que o Cinema Novo precisava explicar-se para existir: o Cinema Novo necessita processar-se para que se explique à medida que nossa realidade seja mais discernível à luz de pensamentos que não estejam debilitados ou delirantes pela fome.
O Cinema Novo não pode desenvolver-se efetivamente enquanto permanecer marginal ao processo econômico e cultural do continente latino-americano; além do mais, porque o Cinema Novo é um fenômeno dos povos colonizados e não uma entidade privilegiada do Brasil: onde houver um cineasta disposto a filmar a verdade e a enfrentar os padrões hipócritas e policialescos da censura, aí haverá um germe vivo do Cinema Novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do Cinema Novo. Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema e sua profissão a serviço das causas importantes de seu tempo, aí haverá um germe do Cinema Novo. A definição é esta e por esta definição o Cinema Novo se marginaliza da indústria porque o compromisso do Cinema Industrial é com a mentira e com a exploração.
A integração econômica e industrial do Cinema Novo depende da América Latina. Para esta liberdade, o Cinema Novo empenha-se, em nome de si próprio, de seus mais próximos e dispersos integrantes, dos mais burros aos mais talentosos, dos mais fracos aos mais fortes. É uma questão de moral que se refletirá nos filmes, no tempo de filmar um homem ou uma casa, no detalhe que observar, na Filosofia: não é um filme mas um conjunto de filmes em evolução que dará, por fim, ao público, a consciência de sua própria existência.

Não temos por isto maiores pontos de contato com o cinema mundial. O Cinema Novo é um projeto que se realiza na política da fome, e sofre, por isto mesmo, todas as fraquezas conseqüentes da sua existência.

Escrito por Glauber Rocha!
http://www.tempoglauber.com.br

20160409

Guns na Cabeça!!! Não posso deixar de postar esse momento que, para mim, é sensacional!!!!!!

De hoje também: 09/04/2016

Guns N' Roses: show de hoje será transmitido?




A apresentação que o Guns N' Roses fará na noite de hoje, 8 de abril, no T-Mobile Arena em Las Vegas, possivelmente será transmitida ao vivo. A expectativa é que a banda suba ao palco às 11 PM PST (três da manhã da madrugada do dia 9 no Brasil).
Acompanhe esta página para links de transmissão.
http://www.ustream.tv/channel/rickdunsford?utm_campaign=ustr...
(link não funciona para todas regiões do Brasil - use adblock)

SETLIST FINAL:
01. It's So Easy
02. Mr. Brownstone
03. Chinese Democracy
04. Welcome to the Jungle
05. Double Talkin' Jive
06. Estranged
07. Live and Let Die (Paul McCartney & Wings cover)
08. Rocket Queen (Slash Solo com talkbox e band jam)
09. You Could Be Mine
10. New Rose (The Damned cover, Duff cantando)
11. This I Love
12. Coma
13. The Godfather Theme (Slash solo)
14. Sweet Child o' Mine
15. Better (Alt. Intro)
16. Civil War (Voodoo Child outro)
17. Wish You Were Here (Instrumental, Pink Floyd cover)
18. Layla Band Jam (Derek and the Dominos cover)
19. November Rain
20. Knockin' On Heaven's Door (Bob Dylan cover)
21. Nightrain

Encore

22. Patience
23. Paradise City


Mantenha a fonte ao citar o texto: Guns N' Roses: show de hoje será transmitido? http://whiplash.net/materias/news_792/241445-gunsnroses.html#ixzz45LbDKFZM
Follow us: @Whiplash_Net on Twitter | Whiplash.Net.Rocksite on Facebook


Set List Final: www.gunsnrosesbrasil.com

20160330

Eztetyka da Fome parte 2! Glauber Rocha!!!




Os próprios estágios do miserabilismo em nosso cinema são internamente evolutivos. Assim, como observa Gustavo Dahl, vai desde o fenomenológico (Porta das Caixas), ao social (Vidas Secas), ao político (Deus e o Diabo), ao poético (Ganga Zumba), ao demagógico (Cinco vezes Favela), ao experimental (Sol Sobre a Lama), ao documental (Garrincha, Alegria do Povo), à comédia (Os Mendigos), experiências em vários sentidos, frustradas umas, realizadas outras, mas todas compondo, no final de três anos, um quadro histórico que, não por acaso, vai caracterizar o período Jânio-Jango: o período das grandes crises de consciência e de rebeldia, de agitação e revolução que culminou no Golpe de Abril. E foi a partir de Abril que a tese do cinema digestivo ganhou peso no Brasil, ameaçando, sistematicamente, o Cinema Novo.
Nós compreendemos esta fome que o europeu e o brasileiro na maioria não entende. Para o europeu é um estranho surrealismo tropical. Para o brasileiro é uma vergonha nacional. Ele não come, mas tem vergonha de dizer isto; e, sobretudo, não sabe de onde vem esta fome. Sabemos nós – que fizemos estes filmes feios e tristes, estes filmes gritados e desesperados onde nem sempre a razão falou mais alto – que a fome não será curada pelos planejamentos de gabinete e que os remendos do tecnicolor não escondem mas agravam seus tumores. Assim, somente uma cultura da fome, minando suas próprias estruturas, pode superar-se qualitativamente: a mais nobre manifestação cultural da fome é a violência. A mendicância, tradição que se implantou com a redentora piedade colonialista, tem sido uma das causadoras de mistificação política e de ufanista mentira cultural: os relatórios oficiais da fome pedem dinheiro aos países colonialistas com o fito de construir escolas sem criar professores, de construir casas sem dar trabalho, de ensinar ofício sem ensinar o analfabeto. A diplomacia pede, os economistas pedem, a política pede: o Cinema Novo, no campo internacional, nada pediu: impôs-se a violência de suas imagens e sons em vinte e dois festivais internacionais.
Pelo Cinema Novo: o comportamento exato de um faminto é a violência, e a violência de um faminto não é primitivismo. Fabiano é primitivo? Antão é primitivo? Corisco é primitivo? A mulher de Porto das Caixas é primitiva?
Do Cinema Novo: uma estética da violência antes de ser primitiva e revolucionária, eis aí o ponto inicial para que o colonizador compreenda a existência do colonizado: somente conscientizando sua possibilidade única, a violência, o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora. Enquanto não ergue as armas o colonizado é um escravo: foi preciso um primeiro policial morto para o francês perceber um argelino.
De uma moral: essa violência, contudo, não está incorporada ao ódio, como também não diríamos que está ligada ao velho humanismo colonizador.

20160324

Eztetyka da Fome (parte1)




 Dispensando a introdução informativa que se transformou na aracterística geral das discussões sobre América Latina, prefiro situar as reações entre nossa cultura e a cultura civilizada em termos menos reduzidos do que aqueles que, também, caracterizam a análise do observador europeu. Assim, enquanto a América Latina lamenta suas misérias gerais, o interlocutor estrangeiro cultiva o sabor dessa miséria, não como sintoma trágico, mas apenas como dado formal em seu campo de interesse. Nem o latino comunica sua verdadeira miséria ao homem civilizado nem o homem civilizado compreende verdadeiramente a miséria do latino.
Eis – fundamentalmente – a situação das Artes no Brasil diante do mundo: até hoje, somente mentiras elaboradas da verdade (os exotismos formais que vulgarizam problemas sociais) conseguiram se comunicar em termos quantitativos, provocando uma série de equívocos que não terminam nos limites da Arte mas contaminam o terreno geral do político. Para o observador europeu, os processos de criação artística do mundo subsesenvolvido só o interessam na medida que satisfazem sua nostalgia do primitivismo, e este primitivismo se apresenta híbrido, disfarçado sob tardias heranças do mundo civilizado, mal compreendidas porque impostas pelo condicinamento colonialista.
A América Latina permanece colônia e o que diferencia o colonialismo de ontem do atual é apenas a forma mais aprimorada do colonizador: e além dos colonizadores de fato, as formas sutis daqueles que também sobre nós armam futuros botes. O problema internacional da AL é ainda um caso de mudança de colonizadores, sendo que uma libertação possível estará ainda por muito tempo em função de uma nova dependência.
Este condicionamento econômico e político nos levou ao raquitismo filosófico e à impotência, que, às vezes inconsciente, às vezes não, geram no primeiro caso, a esterilidade e no segundo a histeria.
A esterilidade: aquelas obras encontradas fartamente em nossas artes, onde o autor se castra em exercícios formais que, todavia, não atingem a plena possessão de suas formas. O sonho frustrado da universalização: artistas que não despertaram do ideal estético adolescente. Assim, vemos centenas de quadros nas galerias, empoeirados e esquecidos; livros de contos e poemas; peças teatrais, filmes (que, sobretudo em São Paulo, provocaram inclusive falências)... O mundo oficial encarregado das artes gerou exposições carnavalescas em vários festivais e bienais, conferências fabricadas, fórmulas fáceis de sucesso, coquetéis em várias partes do mundo, além de alguns monstros oficiais da cultura, acadêmicos de Letras e Artes, júris de pintura e marchas culturais pelo país afora. Monstruosidades universitárias: as famosas revistas literárias, os concursos, os títulos.
A histeria: um capítulo mais complexo. A indignação social provoca discursos flamejantes. O primeiro sintoma é o anarquismo que marca a poesia jovem até hoje (e a pintura). O segundo é uma redução política da arte que faz má política por excesso de sectarismo. O terceiro, e mais eficaz, é a procura de uma sistematização para a arte popular. Mas o engano de tudo isso é que nosso possível equilíbrio não resulta de um corpo orgânico, mas de um titânico e autodevastador esforço de superar a impotência: e no resultado desta operação a fórceps, nós nos vemos frustrados, apenas nos limites inferiores do colonizador: e se ele nos compreende, então, não é pela lucidez de nosso diálogo mas pelo humanitarismo que nossa informação lhe inspira. Mais uma vez o paternalismo é o método de compreensão para uma linguagem de lágrimas ou de sofrimento.
A fome latina, por isto, não é somente um sintoma alarmante: é o nervo de sua própria sociedade. Aí reside a trágica originalidade do Cinema Novo diante do cinema mundial: nossa originalidade é a nossa fome e nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida.
De Aruanda a Vidas Secas , o Cinema Novo narrou, descreveu, poetizou, discursou, analisou, excitou os temas da fome: personagens comendo terra, personagens comendo raízes, personagens roubando para comer, personagens matando para comer, personagens fugindo para comer, personagens sujas, feias, descarnadas, morando em casas sujas, feias, escuras: foi esta galeria de famintos que identificou o Cinema Novo com o miserabilismo tão condenado pelo Governo, pela crítica a serviço dos interesses antinacionais pelos produtores e pelo público – este último não suportando as imagens da própria miséria. Este miserabilismo do Cinema Novo opõe-se à tendência do digestivo, preconizada pelo crítico-mor da Guanabara, Carlos Lacerda: filmes de gente rica, em casas bonitas, andando em carros de luxo: filmes alegres, cômicos, rápidos, sem mensagens, de objetivos puramente industriais. Estes são os filmes que se opõem à fome, como se, na estufa e nos apartamentos de luxo, os cineastas pudessem esconder a miséria moral de uma burguesia indefinida e frágil ou se mesmo os próprios materiais técnicos e cenográficos pudessem esconder a fome que está enraizada na própria incivilização. Como se, sobretudo, neste aparato de paisagens tropicais, pudesse ser disfarçada a indigência mental dos cineastas que fazem este tipo de filme. O que fez do Cinema Novo um fenômeno de importância internacional foi justamente seu alto nível de compromisso com a verdade; foi seu próprio miserabilismo, que, antes escrito pela literatura de 30, foi agora fotografado pelo cinema de 60; e, se antes era escrito como denúncia social, hoje passou a ser discutido como problema político...

20160319

Invasão!




Olhos vermelhos da cor da morte,
pupilas contraídas tomado pela ausência,
Corpo pardo e fora do pulso,
Unhas com restos da agressão,
rígidos a transparecer sensações à urgência de cessar,

Boca pronta de batom, e sua vergonha dilacerada,
Dedos do pé limpos, carregados, contaminados de sinceras brutalidade,
herdada do algoz,

Sem pra onde ir, anotou em seu corpo, o desesperado anseio de correr,
Estar, como num passo de mágica, em outro lugar,
Despejada num ambiente confortável.

PIONEROS DEL TEATRO ARGENTINO: CIRCO CRIOLLO




A bela e incrível história do Teatro mais belo e mais bem feito em todos os tempos e em todo o mundo o TEATRO ARGENTINO.

20160312

SEU ZÉ DÁ UM JEITO NESSE XIÉ!!

Homenagem à Naná Vasconcelos!



Respeito todas: as que veda, mais ou menos,
Quero trepá-la para chegar lá,
Tudo que me dá; são cascalhos,-
atrapalham-o por estratégico de minhas mãos,
Trepo, trepo, trepo, incansáveis vezes, o fim:
me ralo, abrem-se feridas,

E é só assim - passar! chegarei àquilo;
o qual cessa minha vontade por hora,
Sô Zé Pilintra viril e bravo - 
não desiste: constrói seu canto,

"Que se dane em volúpia, tentarei outrossim,
Cantarei, talvez realizarei, de mocossim",
Sô Zé Pilintra, tô descendo o morro p'ra í trabalhá,
Sô Zé Pilintra, e meus fazeres é conhecido:
Um boteco no meio da noite,
põe cerveja e aguardente,
pois um santo nao à toca sempre,

Minha caixinha de fósforo "dante",
escolhido a dedo e afinado ao ouvido.

Oi, iá, iá, iá, seu Zé Pilintra é camará,
Ce, ce, cece, o dono ao anoitece,
Rrá, rrá, rrá, é ele quem dita a farra,
Sem samba não tá, pede p'ra voltá,

Enfeitiçada! Zé Pilintra sabe explorá,
Dessa vez chego lá,
Com carinho e tensão,
Parte em parte subo, na cadência saravá,

Agora forço; é um delicado lugá,
Sô Zé Pilintra aquele pode furunfá,
Aqueles fragmentos, os quais outrora: hei incomodá,
Estilhacei com meu ponto orixá,

Facinha, facinha, suguei-a,
noutro lado cheguei,
o meu caminho atravessei,
e aquele obstáculo cantei,
Àquele muro - formava o beco,
Me atrapalhava meu caminho afresco,
Neste instante, 'quilo sumiu,
Posso, agora, transitá;
até meu trabalho e sambá.
Dimitri Wittkopf  sábado dois de janeiro de dois mil e dez.