| Homenagem à Naná Vasconcelos! |
Respeito todas: as
que veda, mais ou menos,
Quero trepá-la
para chegar lá,
Tudo que me dá;
são cascalhos,-
atrapalham-o por
estratégico de minhas mãos,
Trepo, trepo,
trepo, incansáveis vezes, o fim:
me ralo, abrem-se
feridas,
E é só assim -
passar! chegarei àquilo;
o qual cessa minha
vontade por hora,
Sô Zé Pilintra
viril e bravo -
não desiste:
constrói seu canto,
"Que se dane
em volúpia, tentarei outrossim,
Cantarei, talvez
realizarei, de mocossim",
Sô Zé Pilintra, tô
descendo o morro p'ra í trabalhá,
Sô Zé Pilintra, e
meus fazeres é conhecido:
Um boteco no meio
da noite,
põe cerveja e
aguardente,
pois um santo nao
à toca sempre,
Minha caixinha de
fósforo "dante",
escolhido a dedo e
afinado ao ouvido.
Oi, iá, iá, iá,
seu Zé Pilintra é camará,
Ce, ce, cece, o
dono ao anoitece,
Rrá, rrá, rrá, é
ele quem dita a farra,
Sem samba não tá,
pede p'ra voltá,
Enfeitiçada! Zé
Pilintra sabe explorá,
Dessa vez chego
lá,
Com carinho e
tensão,
Parte em parte
subo, na cadência saravá,
Agora forço; é um
delicado lugá,
Sô Zé Pilintra
aquele pode furunfá,
Aqueles
fragmentos, os quais outrora: hei incomodá,
Estilhacei com meu
ponto orixá,
Facinha, facinha,
suguei-a,
noutro lado
cheguei,
o meu caminho
atravessei,
e aquele obstáculo
cantei,
Àquele muro -
formava o beco,
Me atrapalhava meu
caminho afresco,
Neste instante,
'quilo sumiu,
Posso, agora,
transitá;
até meu trabalho e sambá.
Dimitri Wittkopf
sábado dois de janeiro de dois mil e dez.

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